13 de ago. de 2026

Praça do Cacau: A memória de uma Camacã que viveu os tempos áureos do cacau

 


Por Paulo Pires

Há lugares que ultrapassam a condição de simples espaços públicos. Tornam-se parte da memória afetiva de uma cidade, testemunhas de uma época e símbolos de uma história que o tempo jamais consegue apagar. Em Camacã, uma dessas lembranças permanece viva na memória de quem acompanhou os tempos áureos da cacauicultura: a antiga Praça do Cacau.

Construída em 1984, durante o governo de Anísio Loureiro, a praça nasceu em um período de grande importância econômica e social para o município. Seu projeto arquitetônico chamava a atenção e apresentava um modelo que, à época, existia em poucos lugares do Brasil.

O grande destaque era a chamada fonte luminosa. Com seus jatos de água lançados ao ar e iluminados por diferentes cores, o equipamento transformava a praça em um verdadeiro espetáculo. Para os moradores, era muito mais do que uma fonte: era um ponto de encontro, de contemplação e de orgulho para a cidade.

Quem viveu aquele período ainda guarda na lembrança a beleza das águas coloridas que subiam aos céus, criando uma paisagem que encantava crianças, jovens e adultos. A praça se tornou um dos cartões-postais de uma Camacã que respirava o desenvolvimento proporcionado pela força do cacau.

Mas, como acontece com tantas obras públicas, a beleza também trouxe desafios. A manutenção da fonte luminosa tinha um custo elevado e, com o passar do tempo, tornou-se cada vez mais difícil manter o equipamento funcionando. O sonho de uma praça moderna e iluminada acabou cedendo espaço às dificuldades de conservação.

Anos depois, a antiga Praça do Cacau foi demolida. O espaço ganhou uma nova identidade e passou a ser conhecido como Praça da Bíblia, denominação estabelecida por meio de Projeto de Lei apresentado pela vereadora Maria Ramos e posteriormente sancionado pelo então prefeito Erivaldo Nunes.

O tempo passou, a paisagem mudou e novas gerações chegaram. Hoje, o local possui outra função e é utilizado, principalmente, para a realização dos grandes festejos e eventos da cidade.

Ainda assim, para aqueles que viveram os anos de ouro do cacau, aquele espaço continua carregando uma história especial. A praça que um dia recebeu águas coloridas e encantou uma geração permanece viva nas fotografias, nas lembranças e nas conversas de quem tem a história de Camacã como parte de sua própria vida.

A antiga Praça do Cacau representa, portanto, mais do que uma obra que deixou de existir. Ela simboliza uma época em que Camacã vivia um momento de grande prosperidade e projetava, por meio de suas obras, a esperança de um futuro cada vez melhor.

Ao celebrar seus 65 anos de emancipação política, Camacã também celebra suas memórias. E lembrar o passado não significa viver preso a ele. Pelo contrário: significa reconhecer o que foi construído, compreender os erros e acertos de outras épocas e utilizar essa experiência para planejar melhor o futuro.

Parabéns, Camacã, pelos seus 65 anos de emancipação!

Que as próximas obras, projetos e transformações da cidade sejam concebidos com planejamento, responsabilidade, sustentabilidade e, sobretudo, com o mesmo cuidado de preservar aquilo que realmente pertence à memória do seu povo.

Porque uma cidade não é feita apenas de ruas, prédios e praças. Uma cidade também é feita das histórias que seus moradores guardam no coração.

 

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