8 de jan. de 2022

Enchente afetou os mangues e caranguejos litoral do Sul da Bahia



Gerando uma invasão de caranguejos em locais como a praia da avenida Soares Lopes, em Ilhéus, e o litoral de Canavieiras, como detectado pelo Grupo Amigos da Praia no início do ano. A novidade também foi consequência das chuvas extremas que cairam no sul da Bahia em dezembro.

Nos anos normais, eles se movimentam bastante entre 3 e 8 de janeiro, para se reproduzir. Porém em distâncias curtas e ela nunca foi tão grande. As comunidades que vivem da captura dos caranguejos e os pesquisadores são unânimes em apontar como possível causa o aumento de água doce nos mangues.

Isso reduziu o nível de salinidade nos mangues e estuários, assim como eliminou os espaços secos das tocas, diminuiu a oxigenação e mudou o PH da água. O resultado foi um desequilíbrio biológico e uma necessidade de reprodução em larga escala para garantir a sobrevivência da espécie.

As enchentes causaram um número elevado de morte de peixes, crustáceos e plantas. Para entender o caso, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia, em parceria com o ICMBio, estão analisando a qualidade das águas e a Universidade Estadual do Maranhão faz pesquisas toxicológicas no pescado.

Primeiras hipóteses

Segundo o pesquisador doutor da UFBA Miguel Accioly, a hipótese de contaminação é viável, mas pouco provável, pois com a enchente há uma diluição muito grande. O tipo de sedimento em suspensão e a falta de oxigênio na água é a hipótese favorita.

Miguel ressalta que o excesso de matéria orgânica nas águas também pode causar a mortalidade. Mas os pesquisadores não conseguem resposta para este fenômeno e não se sabe ao certo as consequências da realocação massiva dos caranguejos.

Segundo o pesquisador doutor da Universidade Federal do Sul da Bahia Anders Schmidt, desde 1°de janeiro são registrados movimentos em massa de caranguejos-uçá no sul da Bahia. “Os caranguejos, machos e fêmeas, estão se deslocando fora dos manguezais, em praias, barrancos, restingas e outras vegetações não nativas".

"O que se observa atualmente no Sul da Bahia é um movimento anômalo, mas que coincide exatamente com um período propício para ocorrência de andadas reprodutivas.” As causas deste raro fenômeno, segundo Anders, ainda são pouco compreendidas e múltiplos fatores podem estar atuando de forma sinérgica.

Salinidade e estresse

Um dos fatores pode estar ligado à salinidade da água. Embora populações de caranguejo em outros locais possam habitar normalmente manguezais com água com salinidade próxima de zero, este não é o caso da maioria das populações do Sul e Extremo Sul da Bahia.

Assim, o stress decorrente da mudança brusca de salinidade pode ter levado ao deslocamento dos caranguejos para fora do manguezal. O pesquisador considera que outro importante fator que deve ser considerado é o alagamento permanente da área de manguezal decorrente da enchente.

Independentemente da salinidade, o ritmo biológico do caranguejo-uçá envolve a submersão nos períodos da preamar e atividades fora da água durante os períodos da baixamar. Dentre estas atividades, destaca-se a oxigenação das câmeras branquiais, que ocorre na interface entre a água e o ar.

Relatos de Canavieiras indicam que, devido à enchente, muitos bosques de manguezal estão permanecendo alagados mesmo durante os períodos em torno da baixamar, afetando o comportamento normal dos caranguejos e levando ao deslocamento para outros ambientes adjacentes.

A consequência mais grave desses deslocamentos anômalos é, em curto prazo, a ausência de tocas para abrigo, que pode levar à morte por ressecamento, exposição à predação e vulnerabilidade à captura ilegal.


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