15 de abr. de 2020

Presidente do Instituto Butantan acreditava que estado contabilizaria cerca de 1.300 óbitos nesta segunda-feira (13), mas total é menor que 600 registros


O governo de São Paulo errou nas previsões de mortes por covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, apresentadas durante entrevista coletiva no início da semana passada. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, acreditava que com as medidas de isolamento social o estado contabilizaria cerca de 1.300 óbitos nesta segunda-feira (13), no entanto, de acordo com o último balanço do Ministério da Saúde, foram registradas 588 mortes. 
O total até o momento representa apenas 45% do que era esperado pelas autoridades de saúde do governo paulista. Na segunda-feira (6), quando a previsão era muito maior do que vem sendo observado nos últimos dias,
"Se nós não tivéssemos tomado nenhuma medida, nós chegaríamos no dia 13 de abril com quase 5 mil óbitos. Tomamos as medidas e esperamos chegar lá com menos de 1.300 óbitos. Isso aqui dá a dimensão da importância das medidas que estão sendo tomadas e que precisam ser respeitadas", disse.
Uma semana depois, considerando a evolução dos dados do Ministério e da Secretaria Estadual de Saúde, a realidade vai ficando cada vez mais distante do que foi apresentando pela equipe comandada pelo governador João Doria para os próximos 180 dias. "Nós vamos reduzir 166 mil mortes. Nós precisamos reduzir o número de mortes. É um número muito significativo", afirmou Dimas Covas.

Casos confirmados

O presidente do Instituto Butantan também acreditava que sem as ações de isolamento social o número de casos confirmados estaria entre 20 e 25 mil. Entretanto, a Secretaria de Saúde disse nesta segunda-feira que 8.755 já foram infectados pelo novo vírus. 
"Sem nenhuma medida [de isolamento] nós estaríamos lá no dia 13 de abril com quase 150 mil casos no estado de São Paulo. Com as medidas, nós vamos chegar nessa data com cerca de 20 a 25 mil casos", comentou. 
Dimas Covas assumiu a coordenação dos testes de detecção do novo coronavírus no estado de São Paulo, no dia 2 de abril. O médico, além de comandar o instituto, também é responsável pelo Plataforma de Laboratórios de diagnóstico de coronavírus.

Isolamento social em SP

As previsões apresentadas por ele no começo da semana passada, entre outras recomendações do Centro de Contingência do Coronavírus, que é comandado pelo infectologista David Uip, foram utilizadas pelo governador, João Doria, na sustentação da prorrogação até o dia 22 de abril das restrições impostas ao comércio e aos serviços não essenciais em todo o estado, como forma de evitar a rápida disseminação do coronavírus.
"Nenhuma aglomeração de nenhuma espécie, em nenhuma cidade ou área do estado de São Paulo será admitida", afirmou o governador, ao ressaltar que a Polícia Militar poderá ser usada para que se cumpra a ordem.
Iniciadas em 24 de março, as medidas teriam efeito até 7 de abril. No entanto, o prefeito da capital já havia determinado o fechamento de serviços e comércios não essenciais a partir de 20 de março.
 

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