20 de mar de 2015

No Dia Internacional da Felicidade, psicólogos discutem: o que faz uma pessoa feliz?

No Dia Internacional da Felicidade, psicólogos discutem: o que faz uma pessoa feliz?
Foto: Reprodução
Criado pela Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) em 2012, o Dia Internacional da Felicidade será comemorado nesta sexta-feira (20). De acordo com a resolução estabelecida pela organização, “a busca pela felicidade é um objetivo humano fundamental". Especialistas em estudo da felicidade ouvidas pelo Bahia Notícias concordam com a opinião da ONU. Angelita Scardua, psicóloga especializada em estudos sobre a experiência da felicidade, explica qual o conceito deste estado no campo da psicologia. “A felicidade hoje é entendida como sendo um estado afetivo que corresponde à aceitação emocional da vida como ela é. Ela tem muito a ver com o estado mental e a capacidade de encarar a vida de uma forma geral, com todas as dificuldades, de forma positiva”, esclarece. Para Isaura Moura, psicóloga e integrante da ONG Ministério Compaixão, instituição da Casa de Oração Mundial que possui projetos de assistência social, este conceito, no entanto, é deturpado pela sociedade. “O que tem acontecido com muita frequência é a conceituação disfuncional do que é felicidade. Muitas vezes as pessoas acham que felicidade é estar bem o tempo todo, sorrindo”, afirma. Isaura ainda complementa: “Passar por um momento de tristeza pede que a gente se sinta mal, mas não significa que não sejamos felizes. O problema maior é todo esse conceito em torno da felicidade”. Segundo Angelita, alegria e felicidade não possuem os mesmos conceitos, e a sociedade costuma confundi-los. “Alegria é uma emoção, precisa de algo para provocá-la e é de curta duração. A felicidade é muito mais um estado mental, independe de um estímulo externo. Uma pessoa feliz pode atravessar um momento extremamente difícil na vida, mas ela continua sendo feliz, só não está alegre”, esclarece.


Para a psicóloga Angelita Scardua, felicidade "tem muito a ver com o estado mental e a capacidade de encarar a vida"
Consideradas como doenças do século, depressão e ansiedades são causadas pelas cobranças que a modernidade impõe à vida em sociedade. É o que afirma a psicóloga Isaura Moura. “Se meu trabalho não é como eu quero, me sinto infeliz. Se minha família não me acolhe como eu gostaria, acho que sou infeliz. Tudo está baseado no nível da idealização. Se o que eu idealizei não acontece, acaba gerando uma frustração”, declara. A especialista Angelita Scardua complementa dizendo que o “isolamento social seria uma causa” para os crescentes índices de casos dessas doenças. “A pessoa tem muitos amigos nas redes sociais, mas, se a mãe morre, ela não tem um ombro amigo para chorar”, afirma. A psicóloga ainda explica que a forma como as crianças da sociedade atual são criadas contribui para gerar “adultos inseguros e emocionalmente instáveis”. “Na nova geração, se a criança tem uma nota ruim, o pai vai à escola reclamar com o professor por ter dado a nota ruim. Isso cria na criança o sentimento de: ‘você não é capaz de resolver seus próprios problemas’”, complementa. Angelita também afirma que as redes sociais “influenciam nas chances das pessoas se sentirem infelizes”, pois a exposição a que o público se submete nestes espaços faz com que as pessoas comparem suas vidas com a das outras. “A pessoa que se compara o tempo todo com as outras tende a ser menos feliz. Elas ficam se comparando com amigos, colegas que postam fotos de viagens, baladas, viagens e se sentem menores. Se a pessoa tem autoestima baixa, ela pode se sentir mais infeliz do que realmente é”, explica. A especialista ainda complementa que “a vida que as pessoas mostram nas redes sociais é editada”. “Ela faz o recorte dos melhores momentos e coloca na rede social”, ressalta.

A psicóloga Isaura Moura vê com pessimismo o estilo de vida modeno: 'leva a uma individualismo extremo'
A especialista Isaura Moura enxerga o estilo de vida moderno com certo pessimismo e acredita que ele leva às pessoas a perderem situações importantes de suas vidas. “As pessoas perdem de vista aquilo que as faz bem por conta de uma vida corrida, como um pôr do sol, uma conversa com um amigo, tudo porque estamos focados em outras coisas que não nós mesmos. Essa cultura está incentivando muito um individualismo extremo”, declara.
 

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