23 de mar de 2015

Álcool mata quase duas pessoas por dia na Bahia

A morte do universitário Humberto Moura Fonseca, 23 anos, por coma alcoólico em uma festa na cidade de Bauru, interior de São Paulo, alerta para os riscos da ingestão exagerada da substância. As complicações geradas pelo alcoolismo matam 19 pessoas por dia no país, segundo dados do Ministério da Saúde. O estudante ingeriu mais de 30 copos de vodka em uma competição no dia 28 de fevereiro. De acordo com o sistema Datasus, em 2012, número mais recente disponível, foram 6.944 óbitos no Brasil. Na Bahia, 578 indivíduos perderam a vida neste mesmo período - média de quase dois óbitos por dia. Com o objetivo de fornecer informações sobre drogas lícitas, como o álcool, e ilícitas, foi lançado no início deste mês o 420 App, primeiro aplicativo em língua portuguesa com esta proposta. No Brasil, foram registradas 242 mortes na faixa etária dos 20 aos 29 anos em 2012. Segundo a pesquisadora Clarice Madruga, do Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas, da Universidade Federal de São Paulo (Inpad/Unifesp), o público jovem é o que mais abusa das bebidas alcoólicas. De acordo com ela, os jovens que fazem uso de álcool têm mais chances de desenvolver dependências químicas, não apenas de bebidas, mas de outras drogas, caso venha a experimentá-las. Os riscos do consumo excessivo, conforme a pesquisadora, são muitos. "Há a questão da intoxicação. O álcool paralisa o sistema nervoso e, se a pessoa entrar em coma alcoólico, pode ter uma parada cardiorrespiratória. Além disso, há outros riscos, como fazer sexo sem camisinha e dirigir embriagado", afirma. Se fossem consideradas as causas indiretas, como acidentes e doenças provocadas pelo consumo abusivo, o número de mortes poderia ser maior."Na construção civil, por exemplo, há casos de trabalhadores que bebem e sobem o elevador e, às vezes, caem, além dos acidentes de trânsito", afirma o psiquiatra Antônio Nery Filho, diretor do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas, da Universidade Federal da Bahia (Cetad/Ufba).

Na última semana, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei 13.106, que criminaliza a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos. Clarice Madruga considera um "passo importante" para a redução do consumo de álcool na adolescência, mas acredita que é preciso limitar ainda mais o acesso às bebidas. "O preço é um fator muito importante, quanto mais caro, menor o consumo. Temos um dos preços mais baixos de álcool. Além disso, qualquer tipo de estabelecimento vende álcool, é preciso controlar os pontos de venda", pontua. Já Antônio Nery defende que de nada adianta uma lei mais rigorosa se a fiscalização não for ativa. "Já existem leis que proíbe a venda para menores. Criminalizar não resolve, precisaríamos de uma boa fiscalização", diz.

Há menos pessoas consumindo bebidas alcoólicas atualmente do que há seis anos, de acordo com pesquisas da Unifesp. No entanto, estes indivíduos estão bebendo em maior proporção. "Há menos adolescentes bebendo, mas estão consumindo de forma mais nociva, principalmente as meninas", afirma Clarice. Para Nery, a falta de informação sobre os efeitos é um dos grandes problemas do combate às drogas.


"Como é que se fala em informação com tanta propaganda para o consumo, como a das cervejas? Não há espaço amplo sobre efeitos e danos", afirma Nery. Por outro lado, Clarice Madruga ressalta que "não dá para colocar a culpa no desconhecimento. Nossa geração tem a internet, pode ler um pouco de tudo". (ATarde)
 

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